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Capítulo II — Metodologia

O método ESSME: leitura, escrita,
supervisão e análise.

Quatro práticas que sustentam toda formação — articuladas desde o primeiro mês, para que o estudante aprenda fazendo, escrevendo e sendo escutado.

ENSAIO METODOLÓGICO · 14 min

Por que demoramos quatro anos no que outros prometem em dezoito meses.

por Helena Ariès · direção acadêmica

“Uma formação clínica não é um curso. É uma travessia.”

A psicanálise não se transmite por slides. Não cabe em um manual. Não se completa em um semestre. Ela se aprende, se houver método, num arranjo paciente entre quatro dimensões que se sustentam umas às outras — e que, separadas, simplesmente não formam ninguém.

Na ESSME chamamos esse arranjo de método dos quatro pilares. Ele não é nossa invenção: é uma decantação cuidadosa da tradição clínica ocidental, do círculo de Viena à clínica brasileira contemporânea. Nossa contribuição é metodológica: o modo como articulamos essas práticas no calendário, no espaço da aula e na vida do estudante.

§ Os quatro pilares

Articulados, não isolados.

I.~30% DA CARGA

Leitura cerrada

Trabalhamos os textos fundadores no original (alemão, francês, inglês), com tradução comentada em sala. Os encontros não são aulas expositivas: são leituras coletivas guiadas por um docente que conhece a obra de dentro.

  • — Encontros semanais de duas horas
  • — Diário de leitura individual
  • — Acesso ao acervo digital ESSME (1.400+ textos)
II.~20% DA CARGA

Escrita formativa

Quem não escreve, não pensa. Por isso a escrita é praticada todo semestre, em modalidades variadas — ensaios curtos, comentários de caso, fragmentos clínicos, resenhas. Lemos cada texto produzido e devolvemos com tempo e cuidado.

  • — Quatro ensaios por ano, com devolutiva
  • — Oficinas de escrita acadêmica
  • — Possibilidade de publicação nos Cadernos ESSME
III.~30% DA CARGA

Supervisão clínica

Casos clínicos comentados em pequenos grupos de no máximo seis estudantes, com analistas experientes. A supervisão começa cedo — a partir do segundo semestre, mesmo para quem ainda não atende clinicamente, trabalhando com casos cedidos.

  • — Encontros quinzenais em pequenos grupos
  • — Supervisão individual no último ano
  • — Sigilo absoluto, ética da clínica
IV.PRÁTICA PARALELA

Análise pessoal

Exigida ao longo de toda a formação. Não conferimos análise — orientamos sobre analistas associados, com filiações diversas, para que cada estudante encontre quem possa escutá-lo. É no divã que se aprende a sustentar o divã.

  • — Mínimo de duas sessões semanais
  • — Rede de 80+ analistas associados
  • — Confidencialidade integral
§ Como articulamos

O ciclo formativo.

A semana típica de um estudante da Pós-Graduação articula os quatro pilares numa cadência sustentável — sem sobrecarga, com tempo para digerir.

DIAATIVIDADEPILARDURAÇÃO
SegSeminário de leitura — Freud, “O ego e o id”Leitura2h
TerAnálise pessoal (com analista da rede)Análise50min
QuaSupervisão clínica em grupo pequenoSupervisão90min
QuiOficina de escrita — ensaio do semestreEscrita2h
SexDiário de leitura individualLeitura~1h
SábAtendimento clínico (a partir do 2º ano)Supervisãovariável

EXEMPLO ILUSTRATIVO · CARGA HORÁRIA ESTIMADA DE 9H SEMANAIS

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